O que aprendi com Zilda Arns e Warren Buffet sobre soluções escaláveis e desigualdade social

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Uma feliz coincidência que descobri lendo as biografias da Dra Zilda Arns foi que vivi os meus primeiros meses de vida na mesma rua da primeira sede da Pastoral da Criança, lá em Curitiba.

Já adulta e trabalhando na área social, ficava maravilhada com o que eu considerava um milagre feito pela Dra Zilda: erradicar a desnutrição infantil utilizando uma rede de voluntários (atualmente a Pastoral da Criança conta com + de 160 mil voluntários).

Depois de ler as suas biografias vi que não foi milagre que tornou os altos índices de desnutrição infantil um dado histórico no Brasil e sim muito suor e perseverança do exército do bem que a Zilda Arns criou para defender a importância e cuidados dos 1000 primeiros dias de uma criança.

Algo que me incomoda desde que eu tinha 11 anos é a desigualdade social. Para mim era difícil entender porque a minha vida de classe média era tão diferente da vida das crianças que cresciam na favela vizinha do meu colégio. Mais tarde aprendi que este incômodo tem um nome. Não sei se foi ele que inventou o termo, mas na biografia do Warren Buffet dizem que ele fala que só se tornou um dos homens mais ricos do mundo porque ganhou na tal da loteria do ovário: nasceu homem, branco, americano e ainda filho de senador.

Da mesma forma que a causa da Greta Thunberg é a mudança climática, a minha é a desigualdade social, ou melhor dizendo a mitigação dos efeitos da loteria do ovário na sociedade brasileira.

Venho estudando e trabalhando na área social desde que me formei advogada e desde 2013 venho queimando neurônios pensando na melhor forma de mitigar os efeitos da loteria do ovário.

Fico pensando em formas de criar uma solução escalável e que não dependa de ajuda governamental. Acredito muito no poder da iniciativa privada, seja do segundo ou do terceiro setor. Também acredito que o Brasil precisa fortalecer o seu senso de comunidade, independente da classe social em que a loteria do ovário designou o teu nascimento.

Sou uma grande defensoras das ONGs. Principalmente daquelas que chamamos de base, criadas nos corações de nossas favelas. Desde a criação do Liga Social em 2015 que defendo que nós, a sociedade brasileira, temos que nos unir aos empreendedores sociais que estão lá na ponta, dentro das favelas. Temos que fazer com que os recursos cheguem à estes heróis que conhecem a realidade crua e dura que é nascer e viver em comunidades empobrecidas. São estes empreendedores que conhecem a realidade de cada morador, sabe o nome do traficante e o nome do político que aparece por lá de 4 em 4 anos.

Pensando em uma solução escalável (como aprendi com a Dra Zilda Arns) para mitigar os efeitos da loteria do ovário (que aprendi com Warren Buffet), com a ajuda de muitos parceiros e a filantropia paciente de dois investidores-anjo, venho pilotando dentro do Liga Social a Vitrine de ONGs, uma plataforma que quer criar a conexão entre quem está lá no campo de batalha e aqueles indivíduos e empresas que querem ajudar, mas não sabem como.

A esta altura do projeto posso escrever uma bíblia sobre as funcionalidades que pensamos para a plataforma. Mas o mais importante neste momento é apresentar o conceito.

Muitas ONGs recebem os recursos numa lógica do caminhão-pipa. Ganham um edital, recebem algumas cestas básicas, fecham um contrato de colaboração com a Prefeitura. O que estamos criando com a Vitrine de ONGs é um sistema de irrigação, em que os brasileiros vão poder conhecer o trabalho das mais de 200 mil ONGs que temos espalhadas pelo território nacional. Mais do que conhecer, vão poder ajudar. Queremos mostrar em um só local as várias soluções já criadas pelo ecossistema da cultura de doação para levar recursos financeiros, voluntariado e bens materiais para as ONGs que estão lá na ponta, em contato direto com as comunidades empobrecidas.

Esperamos lançar o piloto nos próximos meses: uma plataforma de transparência e prestação de contas personalizada para a Editora MOL, a maior editora de impacto social do mundo. Lá vamos apresentar o que cerca de 70 ONGs que recebem doações da editora fazem com o recurso que recebem. Recursos estes que vem do lucro das publicações da editora.

Enquanto o piloto não é lançado, estamos validando premissas, falando com institutos e fundações doadores (os chamados grantmakers) e procurando aconselhamento, principalmente na área de tecnologia e desenvolvimento de produtos.  

Se você também acredita que a iniciativa privada pode sim gerar impacto social e criar um sistema de irrigação de recursos, com a escala necessária para mitigar os efeitos negativos da loteria do ovário….

Se você conhece alguém com um projeto similar ou complementar que pode nos ajudar a construir esta infraestrutura…

Se você conhece alguém da área de tecnologia ou de desenvolvimento de produtos que está louco para construir algo com propósito…

Por favor me procure, me apresente, me mande sinais de fumaça.

E assim, seguindo o exemplo da Dra Zilda Arns, vamos juntos, com suor e perseverança tornar a Vitrine de ONGs uma realidade. Meu email é patricia@ligasocial.org.br

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